"Lágrimas ocultas
Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!"
Florbela Espanca
Devemos utilizar o ontem como sendo um recurso do hoje, porque o passado é um exemplo, errado ou correcto, de um presente que se encontra diante de nós. Ao ocultarmos as lágrimas, não demonstramos aquilo que sentimos e nesse momento, bem como em muitos outros, a linguagem torna-se uma traidora dos sentimentos de cada um!
Após tanto chorar no passado, não estará na altura de sorrir, até dizer chega, no presente? As tristezas e as crises problemáticas de outrem ficaram para trás dado que nenhuma vida necessita de pessoas infelizes nas proximidades!
Contudo, o que acontece na minha vida, acontece em muitas outras. São leis da natureza! Na realidade, tudo o que aparece na natureza vem para ficar, então:
"Na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma." Lavoisier
Com vontade, esperança e prazer, tudo o que nos rodeia permanecerá em todas as nossas vidas e nas de todos os seres!
Esperemos que os nossos antepassados estejam contentes connosco e que mais tarde fiquemos ainda mais felizes com aqueles que, no futuro, nos irão representar.
Cátia,
11 de Dezembro de 2009
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